Copa de 1982

Copa de 1982
Lembranças da Copa do Mundo de 1982: veja o artigo que escrevi sobre o melhor mundial de todos os tempos

sábado, 28 de março de 2015

Série "Luxo" e Série "Seleção de Ouro": os botões mais raros da Brianezi

Botões 'duas faixas'. Botões com apenas escudo e número. Ou botões com artes mais elaboradas da camisa do time, da 3ª e última fase? Bom, em se tratando de raridade, todos estes modelos eram, desde que a Brianezi parou de fabricar suas relíquias, em dezembro de 2001. Mas, alguns botões foram fabricados de forma especial. Conheça as diferenças e características dos botões intitulados "luxuosos" da Brianezi, que, segundo os colecionadores mais exigentes, eram os mais difíceis de serem encontrados.

Ex-Alemanha Ocidental: relíquia em três faixas, no modelo luxo/ouro em 50mm
  
Reportagem de Ricardo Bucci - Botões para Sempre
A diferença nos estojinhos era o berço das peças em tamanho maior, ou seja, de 50mm ou 5cm para abrigar os botões. Logicamente, o seu layout era diferente das caixas tradicionais de 42mm. Acima podemos observar o NK Zagreb, da antiga Iugoslávia, distribuído tipicamente nos estojinhos da Edição de Ouro, não como nas caixinhas convencionais, onde sempre tínhamos cinco jogadores em cima e cinco na parte de baixo. A palheta colorida era mantida.
  
Série "Luxo" da Brianezi

No fim da década de 70, mais precisamente em 1976-1977, quando a saudosa fábrica Brianezi começava a produzir os modelos com as famosas 'faixinhas', foi muito popular também no mercado os raros botões denominados de "Luxo". A determinada edição começou bem antes, no início das primeiras fornadas na fábrica, pois já nos primeiros catálogos de 1972 já era possível de visualizarmos esses botões que foram chamados e apelidados de 'grandes'. Duraram, aproximadamente, até o fim do ano de 1986, quando depois a fábrica começou a mudar o material dos botões.
Segundo consta em seu catálogo antigo, a Brianezi diferenciava estes produtos chamando-os de "Futebol de Luxo e Futebol Super Luxo", em 45mm, ou 50mm. O tamanho dos botões ficava por gosto do cliente. Muitas embalagens continham também, além do berço maior para abrigar os botões, uma trave, por serem especiais. Para o colecionador Luis Armênio Henriques, os modelos Luxo têm um diâmetro e altura maior, geralmente encontrados em 50mm, diferentes dos outros tipos convencionais da Brianezi que giravam em torno de 42mm. "Isso permite chutes mais precisos de média e longa distância. Naturalmente faz com que o jogo, independente da superfície da mesa lisa (eucatex) ou MDF pintado, não sofra diferenças, inclusive no controle da bolinha", salienta o colecionador.
Henriques ressalta que um de seus times 'grandes', como são apelidados os botões da edição de Luxo, foi adquirido diretamente da lojinha da Brianezi, por volta de 1986. "Fiquei fascinado quando cheguei na loja no Belenzinho e me deparei na vitrine com o Torino-ITA. O time ganhou todos os meus campeonatos italianos que disputou. Depois de tantos títulos, passei a utilizar o modelo 'gordinho', da 3ª fase, dos anos 90, para dar mais equilíbrio à liga italiana, especialmente no clássico contra a Juventus", diz.
A Brianezi possuía artes diferentes para a edição de Luxo. Muitos modelos apresentavam apenas símbolo e número, uma lembrança dos primeiros botões do começo dos anos 70 que Paulo Brianezi, fundador da marca, confeccionava na fábrica. Outros modelos, que eram mais verificados nos anos 80, tinham de dois a três círculos em volta dos botões. Até ficou uma marca para diferenciar os times luxuosos. Já os escudos eram em 'decalcomania', que saíam em água, os mesmos usados nos modelos com faixas. O material seguia o mesmo processo encontrado nas duas primeiras gerações da Brianezi. Ou seja, era fabricado com material flexível importado, principalmente vindo do Japão, quando a empresa começou a comprar seus primeiros celulóides em 1973. Segundo Luis Armênio, "por serem mais resistentes e maiores que outros modelos, normalmente você os encontra muito novos, sem trinca ou quebras". Particularmente, o botonista adora jogar partidas com estes botões 'grandes'. "Além de serem maravilhosos, são fantásticos para cruzamentos na área e ótimos para desvios", aborda.
O colecionador lembra que este tipo de botão sempre foi mais difícil encontrá-lo. "Por serem mais caros que os modelos 'duas faixas', apareciam somente na lojinha da fábrica Brianezi, onde ficavam em exposição na vitrine, ou em lojas de esportes muito sofisticadas. No Rio de Janeiro, por exemplo, encontrava um ou outro time, de vez em quando, na 'Sport´s Hawaí', que existe até hoje no bairro da Tijuca", acrescenta.
O catálogo antigo da Brianezi, na fase áurea da fábrica, que durou dez anos, de 1976 a 1986. Acima os produtos diferenciados e luxuosos como "Luxo" e "Seleção de Ouro".
Muitos times eram feitos sob encomenda ou que não estavam no catálogo, como este Borussia Mönchengladbach, da coleção de Luis Armênio. Série Luxo, 5cm.
O Bari, da Itália, com lembrança de apenas escudo e número. Time também fora dos catálogos da Brianezi e que eram feitos apenas para a Série Luxo. Botão de 45mm, do colecionador e músico Maurício Carrilho.
Seleção Saudita, de minha coleção: modelo 'duas faixas', com lentes grandes e Luxuosas, de tamanho 45mm.
Nos anos 80, a Brianezi passava a fabricar os modelos Luxo com dois ou três círculos em volta dos botões, como esta seleção Brasileira, de 1985. Imagem do livro "O Botoníssimo".
Mesmo modelo Luxo, com círculos. Aqui vemos o New York Cosmos, coleção pessoal do jornalista Sílvio Lancellotti, apaixonado pelos Brianezi.
O Tom Tomsk, Rússia, de minha coleção. Também com círculos, da edição de Luxo, 5cm de diâmetro. Nos meus campeonatos, o time russo tem já um esquema tático definido: muita marcação, defesa sólida, e no ataque por serem botões maiores, o chute é fortíssimo. Desliza muito bem por ser de celulóide importado, adora 'roubar' bolas perdidas e são ótimos nos escanteios.
NK Zagreb (ex-Iugoslávia, hoje Croácia). Luxo, 5cm.
Spartak Trnava (ex-Tchecoslováquia, hoje Eslováquia). Luxo, 5cm ou 50mm
O Modena, da Itália, time do saudoso Pavarotti. Outro fora do catálogo dos times internacionais. Botões em 45mm, da edição de Luxo, com os famosos círculos, do colecionador e músico carioca Maurício Carrilho.

Exemplos da minha coleção de 50mm em celulóide importado, mas com bandeiras de seleções, que apelidamos de 'bandeirão'.

Série "Seleção de Ouro"

No catálogo, a série "Seleção de Ouro" contemplava os botões especiais feitos em celulóide, acrílico ou acetato importado. Sua embalagem verificada era porta-botões. O layout dos números (emoldurados através de um círculo) e a disposição das linhas, em torno de duas a três, de cada lado do escudo, foram feitos exclusivamente para esta coleção.
Segundo Henriques, os botões desta série tinham que apresentar as linhas, o escudo em cima, com o número logo abaixo com um círculo, entretanto, estes detalhes tratavam-se de apenas uma arte, mas eram luxuosos da mesma forma. "Os botões sempre tinham diâmetro de 5.0cm e com as mesmas qualidades quanto a chutes ou passes da edição de Luxo", finalizou o colecionador.
Uma seleção brasileira com escudo "CBD". Provavelmente produzido pela Brianezi no fim da década de 70, ou até 1979, data em que durou a antiga Confederação Brasileira de Desportos. Série 'Seleção de Ouro'. 5cm.
São Bento de Sorocaba, 50mm, Série LUXO DA BRIANEZI. Time de minha coleção particular.
Itália SÉRIE OURO DE MINHA COLEÇÃO: 50MM OU 5.0CM. Celulóides puros e flexíveis.
Exemplares da EDIÇÃO DE OURO DA ARGENTINA, EM 50MM, DE MINHA COLEÇÃO.

Acompanhem o catálogo abaixo produzido pela saudosa Brianezi durante sua fase mais romântica e áurea, no final dos anos 70/inícios dos 80. As referências e os respectivos números também eram colados em forma de etiquetas no canto esquerdo, antes dos escudos dos clubes ou bandeiras das seleções.
Museu dos Botões Retrô mostra a diferença das siglas e o que significava Futebol de Luxo ou Futebol Acrílico Popular.
Até aqui tudo bem. Caixa rara verde. Portuguesa ilesa em tamanho de 50mm ou 5cm.
Tamanho dos berços maiores para abrigar as peças especiais e luxuosas da fábrica do Belenzinho...

Agora reparem na novidade...Poucos exemplares vinham com etiquetas no lado esquerdo. Ou descolavam, ou a fábrica por falta de tempo não colocava. Mas nos primeiros times feitos nos anos 70 ainda era possível identificarmos as raridades que a caixinha proporcionava.

Essa Referência 15, na verdade deveria ser colocada REFERÊNCIA 16. Um pequeno erro da fábrica.

Vejamos no catálogo abaixo:
Na referência 15 surge os seguintes dizeres: Futebol Popular em Acrílico 45mm, sem trave.
Na verdade essa Lusa seria referência 16: Futebol Popular em Acrílico 50mm, sem trave.

Diferenças entre Acrílico e Luxo
A fábrica colocava inicialmente as referências para os botonistas terem uma maior noção dos objetos que adquiríamos. Futebol Popular Acrílico, como o próprio nome sugere, era feito de material um pouco mais 'duro' que os celulóides flexíveis, mas ainda assim super maleáveis. Um acrílico que, na mesa, parece mais uma tampa de relógio antiga e bem 'molinha'. Já o Futebol de Luxo e na própria Seleção de Ouro, o cliente encontrava ou mandava encomendar na forma de celulóides (LUXO) ou também no caso dessa Lusa em Acrílico (POPULAR).
Esse Zagreb acima pertencia nas seguintes referências: Futebol de Luxo 50mm, 05 (na caixa com trave), 07 Futebol de luxo (com caixa sem trave) ou 20, na forma de encomenda na Seleção de Ouro.

Um comentário:

  1. Ricardo, pq vc não publica suas matérias no Facebook? Existem diversos grupos sobre futebol de mesa e tem muita coisa legal lá. A galera vai curtir teu blog e ainda mais pessoas vão acessa-lo. Flávio Meustimesdebotao

    ResponderExcluir